Eu quero seu autorretrato

Que vai rolar um curso superlegal no SESC Consolação em São Paulo você já sabe. O que você ainda não sabe é que você pode me ajudar a colher material para uma parte do curso dedicada ao autorretrato. Pois é, se você tem o hábito de se fotografar de qualquer maneira, de performance artística a biquinho no espelho do banheiro do shopping, e está disposto a ceder uma foto para ser usada como referência no curso, mande seu autorretrato com um pequeno texto sobre a foto e outro sobre você para leo@leoneves.net com o assunto "autorretrato".

Ex:

Eu vou te responder com um texto e a gente bate um papo rapidinho sobre o que você acha que te motivou a fazer a foto.

E aí, topa?

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Curso de Fotografia em Locação no SESC Consolação, SP

Hoje eu venho com uma notícia bacana pra quem acompanha as oficinas. Estamos na agenda de cursos do SESC-SP! No curso "Fotografia em locação" (inscrições abrem no dia 27 de maio no SESC Consolação) vou apresentar várias referências da fotografia de retrato e vamos aprender na prática como a gente pode se virar em qualquer locação e usar o ambiente a nosso favor. O SESC Consolação publica uma pequena revista com a agenda do "Clic Clube" e na edição desse trimestre ganhei um espaço bacana para publicar um texto relacionado ao assunto do curso.

"Dizem que o primeiro passo para escrever bem é ser um bom leitor. E se fotografia é "escrever com a luz", as cores, as texturas e os enquadramentos são as vírgulas, pontos e acentos. Detalhes importantes do texto que às vezes a gente usa de forma errada por não ler com atenção, e nossa dissertação acaba parecendo mais uma redação de escola. A gente precisa aprender a ler para fugir dessa! E o primeiro passo para ler com mais consciência é construir referências sólidas. Observar cuidadosamente o trabalho de outros fotógrafos é essencial para criar um repertório de soluções práticas que ajuda a livrar a gente de muitos apuros.
Enquanto Sander usa enquadramento e pose formais para fotografar um casal de crianças como parte de seu catálogo da sociedade alemã em "Middle Class Children", de 1925, Arbus escolhe uma abordagem diferente para "Children in NYC", em 1960, com enquadramento muito parecido ao primeiro olhar, mas uma informalidade evidente no instante do clique e no ponto de vista superior, fazendo do retrato de Arbus quase um "snapshot" de família. Duas fotografias que chegam  ao mesmo objetivo documental tomando caminhos diferentes pela escolha de cenário, ponto de vista e instante.
August Sander - Middle Class Children (1925)

August Sander - Middle Class Children (1925)

Diane Arbus - Children in NYC (1960)

Diane Arbus - Children in NYC (1960)

Voltando para o nosso tempo e tomando a fotografia comercial como exemplo, a gente vê grande parte dos fotógrafos editoriais e publicitários usando as locações como um recurso narrativo. Martin Schoeller e Annie Leibovitz frequentemente usam objetos de cena e luz ambiente para compor suas fotos, às vezes até colocando o assunto principal na sombra e iluminando com o flash em equilíbrio com a luz do ambiente.
Para "escrever com a luz" é muito importante conhecermos as letras, claro. A técnica fotográfica, equipamentos de iluminação, modificadores de luz tudo isso são letras que formam palavras. Mas se a gente quiser comunicar uma mensagem é importante saber construir as frases com o instante do clique, direção de modelos, a escolha de cor ou preto e branco e - por que não? - locação, objetos de cena, e muitos outros recursos disponíveis que a gente pode usar para contar uma história. E contar histórias é um dos papéis mais interessantes da fotografia."

Esse novo curso tem o objetivo não só de trazer soluções práticas para situações difíceis que os fotógrafos passam ao fotografar em locação, mas também levar o participante a construir um sólido repertório de referências que o ajuda a tomar decisões na hora de fotografar. Dividido em três partes, no primeiro momento do curso o participante é levado a analisar o trabalho de fotógrafos e artistas como August Sander, Diane Arbus, Arnold Newman, Irving Penn, Duane Michals, Cindy Sherman, David Hockney, Andy Warhol, Vik Muniz, entre outros. A segunda parte é uma saída fotográfica em locação interna, e a galera aprende a observar a forma como a luz do dia invade um ambiente, e aprende a usar janelas, paredes, e luzes artificiais a seu favor. Na terceira e última parte do curso acontece uma saída fotográfica em locação externa, onde a gente se coloca diante das incertezas que fotografar em externa pode trazer, como a incidência direta ou não da luz do sol, adaptação ao clima, e a utilização de acessórios como rebatedores e flashes dedicados.

O curso vai acontecer no mês de junho, em três sábados consecutivos: 8, 15 e 22. Vai rolar muita referência de texto e imagem, bastante tempo para prática, e ainda vai ser bem baratinho!

Curso: Fotografia em Locação
Data: 8, 15 e 22 de junho, das 10:30 às 15h (com intervalo)
Incrição: à partir de 27 de maio na Central de Atendimento do SESC Consolação, 1º andar.
Endereço: Rua Dr. Vila Nova, 245.
Valor: até R$50

Gelatinas e Coisas Light

No último final de semana rolou uma oficina em um lugar que tem se tornado cada vez mais  importante para a fotografia brasileira, o Ateliê Fotô. É lá que nascem livros, exposições, e muita coisa bacana que movimenta o cenário da fotografia nacional. É lá também onde acontecem os grupos de estudo e criação em fotografia coordenados por Eder Chiodetto, Fabiana Bruno e Fernando Schmitt, que ajudam a amadurecer o processo de criação dos fotógrafos que participam e discutem a edição, a estética e o conceito dos trabalhos de cada um.

O Ateliê tem uma biblioteca cheia de referências que a gente pode mergulhar durante a aula e reproduzir nos exercícios práticos. E aí o pessoal foi pirando e cada um colocando a mão na massa e fazendo a sua luz.

Este exemplo é bom para voltar a falar de uma dúvida que eu sempre ouço por aí: qual é a diferença entre a sombrinha difusora e o softbox?

Como você pode ver, o flash que está na sombrinha difusora está com a gelatina verde, e o que está no octa (que, exceto pelo formato, é basicamente o mesmo que um softbox) ficou com a gelatina laranja. Observe bem o fundo. Era uma parede branca, mas parece verde na foto. Isso acontece exatamente porque a sombrinha difusora espalha luz para todos as direções, iluminando não só o assunto da foto, mas também o fundo. O que não acontece com o softbox, que, nesta posição, vai iluminar apenas o assunto, sem influência no fundo.

Obrigado ao Eder Chiodetto que abriu as portas do Ateliê pra gente e à Raquel Santos que ajudou na organização e emprestou seus dreads para essa foto.

Resultado do Desafio

Então, finalmente vamos ao resultado do desafio de iluminação! Deveria ter saído há uma semana, mas VIVO tendo problemas com uma certa companhia de telefonia e dessa vez ela me vai me fazer ficar um mês sem acesso à internet em casa.

Em primeiro lugar, o resultado do sorteio. Recebi quase 200 chutes lá no email. Sinceramente, não pensei que tanta gente fosse responder. Fiquei pensando como poderia fazer o sorteio, já que todas as respostas chegaram por email. A solução mais rápida e prática que encontrei foi simplesmente filtrar todos os emails do mesmo assunto e clicar em um aleatório. Quem levou a melhor nessa foi a Luiza Barbeto, que não disse de onde é. Então, Luiza, se você está lendo, você ganhou uma aula particular em São Paulo ou Rio.

O sorteio foi feito entre todo mundo que respondeu, seja a resposta certa ou errada. No caso da Luiza (e da maioria) a resposta está errada. Muita gente disse que foi usado um softbox para iluminar a foto. Algumas pessoas até descreveram esquemas de iluminação com nomes detalhados. Deram até marca de flash e a que potência teria sido usado. Alguns, mais detalhistas (isso foi uma piada), disseram que foi usado um octabox, ou uma sombrinha, "porque o reflexo no olho é redondo" (você sabe que eu tô falando com você, cara...). Até hoje estou procurando esse reflexo redondo!

Poucos foram os que acertaram na mosca. Essa foto foi iluminada apenas com luz natural.

Pensando nas muitas possibilidades que a gente pode ter quando fotografamos dessa forma, fiz mais alguns esquemas, só pra vocês terem uma ideia dos resultados que a gente pode conseguir.

Obrigado a Carolina Schievenin, que emprestou seu rosto, e a Marcelo Tissot, Natália Escudeiro e Jefferson Ramos pelo apoio moral e risadas.

5 Mentiras Que Me Contaram Sobre o Mercado Quando Comecei a Fotografar

1 - Você precisa atualizar 500px, Flickr, site, blog, redes sociais com frequencia, pra mostrar o seu trabalho.

Só se você quiser tapinha nas costas de gente que só fez um comentário pra ter um comentário de volta em suas fotos. Qual é o sentido de fotógrafo querendo confete e elogio de outros fotógrafos? Portfolio se mostra em contato direto com cliente.

2 - O mercado de fotografia está saturado. 

O pessoal anda comprando muita câmera por aí e postando muita foto em rede social, mas isso não é o mercado, ok? Com frequência ouço cliente reclamando da dificuldade de se encontrar fotógrafos em que se possa confiar. Tá cheio de fotógrafo querendo ganhar muito e trabalhar pouco pra poder jogar seu videogame em paz. Quem quer trabalho mesmo encontra um caminho e o mercado abraça.

3 - Quanto mais cursos, palestras, eventos e workshops você fizer, Mais garantida é sua entrada no mercado.

Você pode fazer anos de cursos e workshops de fotografia e ainda vai estar fora do mercado se não mostrar seu trabalho para a pessoa certa e, principalmente, se não tiver maturidade, disposição e inteligência emocional para lidar com pessoas e trabalhar duro com gente que exige qualidade.

4 - Os fotógrafos famosos cobram caro.

Quem cobra muito caro tá fora do mercado, exceto casos muito específicos (e provavelmente não é o caso desse cara famoso do twitter que você pensou). Quem faz grana com foto, faz porque trabalha muito mesmo. E, convenhamos, existe uma forte possibilidade de que o seu conceito de preço justo é que esteja torto.

5 - Sua vida vai ser melhor quando você viver de fotografia.

Sua vida só vai ser melhor quando você quiser, e isso não tem nada a ver com o que você faz para colocar comida na mesa. Tem a ver com ser satisfeito com o que se tem, não querer viver a vida de outra pessoa, não achar que precisa de certa coisa só porque um conhecido tem, e você não pode ficar sem, né? Já parou pra pensar que aquele fotógrafo de quem você tem inveja já tá ralou um bocado pra chegar onde chegou? Vou te contar um segredo: você não vai fazer sempre o tipo de foto que você gosta. Tem que lidar com cliente, tem que resolver pepino, tem que pagar imposto, fazer contabilidade, tem que se automotivar pra vender, tem que mostrar portfolio e ouvir muito “não”, negociar… Não é só apertar o botão. Se você quer que a fotografia seja romântica e poética, deixa como hobby se trabalhe como corretor imobiliário. 

Desafio: descubra como a foto foi iluminada

Responda como essa foto foi iluminada e concorra a 4h de aula particular de iluminação em São Paulo ou Rio de Janeiro. O sorteio (e a resposta do desafio) será no dia 6 de abril.

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