Fazendo e compartilhando fotos com o que cabe no bolso

Comecei a plenejar uma viagem e queria uma solução legal para as fotos. Não quero levar um notebook, muito menos ficar importando arquivos gigantes para o Lightroom ou Camera Raw. Sei que o que falam da câmera do iPhone é sempre muito lindo, mas, na prática, ela é limitada, e eu não quero depender de uma câmera que é só boa em certas condições de luz, não tem muito controle de exposição e o zoom não vale pra muita coisa. Acabei encontrando uma solução que pode ser interessante pra quem não quer levar muito peso e perder tempo, mas também não quer depender de um celular para fazer fotos.

Usando uma Canon s100 (câmera compacta que cabe no bolso e permite todos os controles manuais) fiz uma foto dessa linda paisagem cinza e cheia de concreto e poluição que é o centro de São Paulo.

Ótimo. Foto feita. Agora eu preciso ir pra a casa do meu host no Couch Surfing, ou albergue (nunca hotel, odeio hotel), descarregar a foto no meu computador, importar para o Lightroom, fazer ajustes, exportar, subir para meu blog/site/redes sociais. Certo? Nem sempre. Usando um cartão que cria a própria rede wi-fi (o Eye-fi), envio as fotos diretamente para meu celular, tablet, ou até mesmo para um notebook. O cartão só está disponível no formato SD, e o modelo mais barato tem 4gb e só transmite arquivos .jpg (exite também a versão RAW 16gb). O seu dispositivo móvel vai precisar de um aplicativo específico do cartão, que é gratuito. Depois de uma rápida primeira configuração usando um computador, o cartão já estará pronto para criar a própria rede e transmitir as fotos.

Uma vez conectado, é só abrir o aplicativo e receber as fotos. Com o cartão previamente configurado, em menos de 1 minutos suas fotos já estarão no seu celular. Uso esse sistema também quando vou fazer certos trabalhos em que o cliente precisa ver em detalhes o que está acontecendo. Fotografo em RAW e envio uma cópia em .jpg da minha câmera direto para o tablet, que está com o cliente.

O próximo passo é a edição e tratamento das fotos. Para isso eu tenho duas segestões de aplicativo: iPhoto e Luminance. Ambos estão disponíveis apenas na Appstore da Apple. Se você tem sugestões para aplicativos Android, por favor deixe nos comentários.

No Luminance é possível ter uma série de filtros e controles gerais, como briho, contraste, curvas, split tonning, e outros recursos que você já conhece do Lightroom e do Camera Raw. Para essa foto, eu só transformei em preto e branco e equilibrei um pouco as altas e baixas luzes. Depois disso, você tem a opção de compartilhar a foto em várias redes sociais, ou salvar a versão tratada de volta no celular.

Outra opção, para usar como alternativa, ou mesmo em conjunto com o Luminance, é o iPhoto. Além de vários controles de tratamento, ainda é possível fazer ajustes localizados com os brushes, sem falar na possíbilidade de fazer uma edição mais rápida e controlada, aplicando flags nas fotos selecionadas e organizando suas fotos por data, evento, entre outros controles. Para essa foto eu apliquei alguns ajustes localizados.

Agora é só salvar sua foto tratadinha e bonitinha e partir para o abraço. Todo esse processo me tomou menos de 5 min. As fotos podem ser salvas na resolução original, mas ainda tenho minhas dúvidas sobre o que acontece quando ela é compartilhada direto do dispositivo para as redes sociais. Minha experiência não foi muito boa com o Facebook, por exemplo. Por outro lado, parece que está tudo bem com as fotos quando uso o aplicativo do Wordpress. Este post foi escrito no iPad, nos cafés e metrôs da vida.

Aí vai um antes e depois:

Exposição INcômodo (Festival Hercule Florence de Fotografia)

Ontem abrimos a exposição INcômodo, parte do festival Hercule Florence de Fotografia, em Campinas. Na minha parede, 4 fotos que eu carinhosamente classifico como "com foco duvidoso e de resolução questionável" com histórias inacreditáveis de viagens a lugares improváveis, como o busto de Lenin nas Ilhas Comores, a catedral com vitral ridículo em Antigua e Barbuda, o monumento ao atum de Manta e os pinguins amorosos que são seres humanos melhores que seres humanos, na Antárdida. Ocupamos uma casa vazia e fechada por muito tempo e estaremos lá por um mês.

Além do meu trabalho, estavam lá Daniel Athayde, Julia Rettmann, Leticia Ranzani, Augusto Meneghin, Mauricio Bueno e Pedro Espagnol, uma audioinstalação de Henrique Iwao e intalação de Luis Marques Martinelli, tudo sob o comando e curadoria da Helena Marc.

O André Abujamra começou o show baseado nas minhas histórias. E, se você conhece a mim e ao André, sabe que essa coisa passou longe de ser normal. Só tenho o que agradecer a Helena Marc e a todo mundo que estava lá. A casa lotou e foi alucinante ver a minha história inspirando o André e todo mundo a cantar: "A única coisa real: AMOR!"

Serviço:

Casa Azul Rua Boaventura do Amaral, 1075 Cambuí, Campinas - SP

Visitação: 13/10 a 04/11 Terça à domingo, das 11:00 às 18:00

Desafio: onde está o flash?

(Editado em 23 de julho)

Lá vamos nós para a resposta do desafio e o resultado do sorteio! Eu sei que estamos dois dias atrasados, mas sei também que posso contar com o perdão e compreensão de todos, não é mesmo?

TEM flash na foto. Em cima da camera, rebatido para o teto, em TTL com uma compensação de -2 EV. Quem respondeu que era com sombrinha ou softbox considerei como certo, pra não dizerem que eu sou muito chato. A questão é que tem um preenchimento suave. E quem levou o livro foi o Fernando Martins, que respondeu direitinho!

Por que eu usaria flash numa foto iluminada por luz natural? Porque eu quero fazer a foto parecer mais natural. "Epa! Peraí, você usou o FLASH para fazer a foto iluminada pela luz NATURAL parecer MAIS NATURAL?". Sim. Você já deve ter ouvido falar de alcance tonal, ou latitude de exposição. Isso nos diz o quanto de informação (detalhes) conseguimos na foto, partindo do preto até chegar ao branco, guardando detalhes perceptíveis (Não vou me prolongar. Tem um excelente artigo do Armando Vernaglia sobre isso aqui. Leia antes de seguir). Resumindo a história: nossa câmera enxerga tudo com muito mais contraste que a gente. O flash entra aqui bem fraco, só pra preencher um pouco as sombras e trazer a imagem pra mais próximo do que se vê. Dêem uma olhada na foto sem flash e pensem: qual parece mais natural?

A primeira pergunta é se tem flash nessa foto do Rick Joilly, aluno da oficina em Feira de Santana e filho perdido do Ahmadinejad. Se tem flash, onde está? Responda corretamente nos comentários do post e concorra ao livro Cartas a um Jovem Fotógrafo, de Bob Wolfenson (este que está aqui do lado). O sorteio será semana que vem, no sábado, dia 21. Boa sorte é para os fracos, seja um ninja da luz e responda certo!

Dá pra fazer alguma coisa legal com o flash em cima da câmera?

Depois de toda aquela tapioca em Boa Vista, fui comer um pão de queijo lá Viçosa, MG. Minha segunda vez com a oficina numa universidade federal (olha a responsabilidade). E que universidade! É um mundo aquele campus.

Mas agora não era só a oficina. Na noite do dia anterior rolou uma palestra sobre fotografia e responsabilidade social, onde pude falar um pouco de projetos legais como o Help Portrait, O Special Kids, e contar minhas experiências ministrando oficinas como essa. Teve marmanjo com os olhos molhados depois de ver o vídeo da Laurimar (é, não pense que eu não vi você chorando), então acho que a missão foi cumprida. Já tem uma galera armando uma ação do Help Portrait por lá.

O ambiente da oficina era ideal para dar um exemplo de como a gente pode usar o flash em cima de camera de forma interessante. A sala era ampla, com janelas grandes, teto branco e paredes em um tom claro de amarelo. O modelo (Daniel Lopes) pode não ser grande coisa mas só pra dar o exemplo tá bom, né?

photo 1

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Nessa foto eu não me importei com a luz ambiente. O flash está em TTL rebatendo em um teto branco. Tudo bem com essa foto. Fazemos fotos iguais a essa em vários eventos. Mas, na verdade, o que eu via ali na hora era esse recorte amarelado. Uai, se a natureza tá me dando essa luz de presente, porque não usar?

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Foi só uma questão de diminuir a velocidade do obturador e o amarelo já apareceu. Mas eu não gostei da luz branca do flash rebatendo no teto, fazendo essas sombras nos olhos e, por causa dos óculos, também no rosto.

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Rebati o flash na parede, que é amarela, e pimba! Cheguei onde eu queria: aproveitei a luz que eu via no ambiente e adicionei um flash de acordo com ela.

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Essa foi fácil, né?

Não posso deixar de agradecer à Mariana Tiso, ao Rodrigo Castro e a todo pessoal do centro acadêmico de jornalismo lá da UFV, e também a toda a galera que participou. Vocês foram ótimos!

Entrevista Transcultura (Segundo Caderno, O Globo)

Na última sexta feira, dia 13, deu no jornal O Globo minha entrevista ao Transcultura, no Segundo Caderno, onde pude falar um pouco sobre a exposição “Heterogêneo - um retrato da diversidade”.

Pra quem não pode ler, a entrevista completa, por Alice Sant’anna:

“Olhos nos olhos na Parada do Orgulho LGBT

A exposição leva o nome ‘Heterogêneo - um retrato da diversidade’, mas bem poderia se chamar ‘Olhos nos olhos’. É o que o fotógrafo carioca Leo Neves, de 26 anos, explica sobre a mostra que está em cartaz no Centro Cultural da Justiça Federal (CCJF), no Centro do Rio, até o dia 13 de maio. Neves, que registrou em torno de 200 pessoas na Parada do Orgulho LGBT (Lésbicas Gays Bissexuais e Travestis), conta nesta entrevista por que escolheu o tema e como foi o clima da sessão de fotos em um estúdio improvisado de São Paulo, cidade onde mora atualmente.

O que o motivou a fotografar a parada gay?

Nasci no Rio, mas cresci numa cidade do interior do estado chamada Itaocara (lá para os lados de Santo Antônio de Pádua, norte fluminense). Nessa cidade eixistiam dois ou três caras que eram homossexuais assumidos. Numa cidade do interior, eram um exemplo a não ser seguido, como você pode imaginar. Então, cresci com alguns preconceitos. Na adolescência voltei para o Rio e comecei a estudar música. Na escola de música, na cidade grande, comecei a perceber que gente que eu admirava e respeitava tinha a mesma orientação sexual que eu fui condicionado a rejeitar na infância, e os preconceitos começaram a ser quebrados. Então, ir à uma das maiores paradas gay do mundo e fazer esses retratos próximos, pessoais, com olho no olho, foi uma forma de colocar em foto essa quebra de preconceito. Eu poderia ter fotografado de longe, escondido, mas escolhi conversar, conhecer e interagir com as pessoas. O título da exposição, ‘Heterogêneo’, traz essa ideia de que, olhando de perto, pessoas são diferentes. Mesmo em um grupo que é visto de forma homogênea pela maioria, conseguimos perceber pensamentos, posturas, convicções e atitudes diferentes quando nos aproximamos. O ensaio não foi feito com a finalidade de levantar uma bandeira. Antes, ele fala da minha vergonha de viver em um mundo onde é necessário que se levantem bandeiras, seja ela gay, negra, religiosa, ou política. No meu mundo ideal viveríamos sem bandeiras. Não nos importaríamos com aparências, etnias, ou convicções religiosas. Um mundo onde ‘viado’ não é xingamento e ninguém precisa lutar pelo direito se casar com a pessoa que ama, onde ‘preto’ é só uma cor e não um rótulo social, ou de caráter, onde uma lua não é simbolo de terror e uma cruz não é sinônimo de ignorância. É a tal da utopia. É onde aquele menino de Itaocara gostaria de viver. Esse trabalho foi a forma que esse menino encontrou de mostrar que de tão diferentes, heterogêneos que somos, no final, somos muito mais próximos do que pensamos.

E como foi a abordagem? As pessoas ficavam à vontade? Muita gente recusou?

Como eu montei um estúdio portátil na frente de um prédio comercial da Av. Paulista, um grupo de amigos que estava fazendo um trabalho de conscientização distribuindo preservativos e folhetos me ajudou a trazer as pessoas. A maioria ficava à vontade. Adoravam, até! Eu dizia que a pessoa ia se ver como em uma capa de revista. Conversava um pouco, fazia alguns cliques dirigindo os fotografados, e quando eu mostrava as fotos vinha a gritaria. Elas realmente se achavam o máximo! Algumas pessoas passavam longe quando viam o meu pequeno estúdio. Uma troca de olhares era o suficiente pra entender que não queriam fotos.

Qual técnica você usou?

Eu usei uma octabox de estúdio, que é uma grande caixa que suaviza a luz, adaptada para um flash eletrônico compacto, desses que a gente vê os fotógrafos usando em cima da câmera. O flash era disparado remotamente por um sinal infravermelho em sincronia com a câmera. Com isso, consegui uma luz de estúdio bem no meio da Av. Paulista. O tempo nublado me ajudou a eliminar completamente a luz do dia e ter total controle sobre a iluminação. Escolhi os planos fechados e, na maioria das imagens, olhos nos olhos, para dar a ideia de cumplicidade do fotografado. Eu queria fotografar pessoas que comprassem a ideia e que ficassem felizes com o resultado das fotos. Sempre que eu falo desse trabalho eu cito o fotógrafo Rogério Reis, que fotografou pessoas no carnaval de rua em Santa Teresa em sua série ‘Na Lona’. Ele foi minha principal referência de linguagem para o ‘Heterogêneo’.”

Mais legal do que fazer uma exposição é poder falar do que se acredita. Uma vez, numa conversa de bar, ouvi de uma amiga fotógrafa uma citação do Boris Kossoy que não saiu da minha cabeça: “Uma foto só vale mais de mil palavras quando você tem mais de mil palavras para falar a respeito dela”. Fica aqui o meu agradecimento à Alice Sant’anna e ao coletivo Transcultura, que me deram esse espaço.

Como essa foto foi iluminada? (resposta no final)

Como essa foto foi iluminada? (resposta no final)

O retrato desse cara muito bonito foi feito pelo Henrique Tarricone (@tarricone) durante a última Oficina de Flash em São Paulo, como um dos exercícios da oficina. Como você acha que a foto foi iluminada? Mande sua resposta para oficina@leoneves.net e você pode ganhar o livro The Great LIFE Photographers, com um pouco do trabalho dos maiores fotógrafos que já passaram pela revista LIFE, ou uma vaga em umas das oficinas. O sorteio será realizado dia 19/2, domingo, então você tem uma semana para pensar muito bem e responder!

Boa sorte certeza na sua resposta!

editado 20/2:

A maioria das pessoas erraram! Não tem um segundo flash iluminando o fundo nessa foto. A luz aqui foi feita apenas com um flash em um softbox octagonal.

“Mas tem muito contraste na imagem!”

Sim. O octa não está apontando para o assunto, nem para a parede. Pelo contrário, ele está quase apontado para a câmera (!), o que faz do octa, do ponto de vista do assunto e do fundo, não mais um fonte redonda, mas oval, diminuindo a área iluminada.

“E como aconteceu esse degradê no fundo?”

Apesar de não estar direcionada para eles, a fonte de luz está muito próxima do fundo e do assunto. Como só essa “tira” de luz está atingindo o fundo, surge essa luz suave meio diagonal. Aqui a gente trabalhou medindo a luz gerada pela borda do octa, não pelo centro.

Talvez um desenho ajude um pouco a entender.

Falando do sorteio, eu disse que quem respondesse poderia ganhar o livro, ou a vaga na oficina. Bem, o livro foi sorteado entre os (poucos) que acertaram a resposta, e vai para Marília Pedroso! Já a vaga da oficina foi sorteada entre os que erraram a resposta (pra não errar de novo) e, entre uns 20 nomes, levou a melhor Nicolas Gomes (que não é de São Paulo, então vai precisar vir, ou esperar rolar outra oficina em Brasília, que pretendo fazer ainda esse ano).

Obrigado a todo mundo que mandou seu chute e espero que a resposta tenha servido pra alguma coisa.