Gelatinas e Coisas Light

No último final de semana rolou uma oficina em um lugar que tem se tornado cada vez mais  importante para a fotografia brasileira, o Ateliê Fotô. É lá que nascem livros, exposições, e muita coisa bacana que movimenta o cenário da fotografia nacional. É lá também onde acontecem os grupos de estudo e criação em fotografia coordenados por Eder Chiodetto, Fabiana Bruno e Fernando Schmitt, que ajudam a amadurecer o processo de criação dos fotógrafos que participam e discutem a edição, a estética e o conceito dos trabalhos de cada um.

O Ateliê tem uma biblioteca cheia de referências que a gente pode mergulhar durante a aula e reproduzir nos exercícios práticos. E aí o pessoal foi pirando e cada um colocando a mão na massa e fazendo a sua luz.

Este exemplo é bom para voltar a falar de uma dúvida que eu sempre ouço por aí: qual é a diferença entre a sombrinha difusora e o softbox?

Como você pode ver, o flash que está na sombrinha difusora está com a gelatina verde, e o que está no octa (que, exceto pelo formato, é basicamente o mesmo que um softbox) ficou com a gelatina laranja. Observe bem o fundo. Era uma parede branca, mas parece verde na foto. Isso acontece exatamente porque a sombrinha difusora espalha luz para todos as direções, iluminando não só o assunto da foto, mas também o fundo. O que não acontece com o softbox, que, nesta posição, vai iluminar apenas o assunto, sem influência no fundo.

Obrigado ao Eder Chiodetto que abriu as portas do Ateliê pra gente e à Raquel Santos que ajudou na organização e emprestou seus dreads para essa foto.

Oficina de Bolso - Rio de Janeiro

No dia 9 de março vai rolar uma versão curta da Oficina de Flash no Rio. Com foco na aplicação prática de alguns conceitos que são explicados com mais detalhes na versão completa da oficina, a Oficina de Bolso é uma opção mais objetiva.

Se você se interessou pelo programa dessa oficina, é só escolher uma das opções aqui embaixo para se inscrever.

Oficina de Flash em Recife

(Atenção: vagas esgotadas para a turma dos dias 11 e 12 de maio.)

Para dar início à agenda da Oficina de Flash em 2013, em maio vão rolar duas turmas para o pessoal do Recife. Assim, quem trabalha com eventos e não pode frequentar cursos aos finais de semana vai ter uma alternativa.

O programa do curso está na página da oficina. Se você gostou do programa e quer participar, é só clicar em uma das opções de pagamento logo aí embaixo. 

Oficinas de Flash 2013

Muitos profissionais oferecem workshops hoje em dia. Designers, músicos, artistas plásticos, DJs, artesãos, cozinheiros e até workshop de perfumaria eu já vi. Geralmente, são cursos rápidos, independentes, às vezes sem muita estrutura. O que vale nesse caso é a prática, assimilar o conhecimento, aprender fazendo. Você se encontra com o profissional, ele te mostra como se faz, e você volta pra casa com mais alguns truques na manga. É uma tendência real e não é exclusividade brasileira. Pelo contrário, não faz muito tempo que a gente vem descobrindo esse mercado por aqui.

Muitos fotógrafos embarcaram nessa oferecendo workshops de várias formas diferentes, para todo tipo de público. De pós doutores em comunicação a fotógrafos amadores, todo mundo (incluindo eu) oferece um cursinho aqui e ali. Eu acho ótimo que mais pessoas tem se interessado por fotografia e que mais fotógrafos estão dispostos a ensinar o que sabem. É bom pra todo mundo. Eu não tenho como mensurar o quanto aprendi desde que comecei a ensinar. Hoje, me viro com qualquer tipo de equipamento, sei operar boa parte dos modelos de DSLR de várias marcas, enfim, tive que correr atrás de detalhes que antes eu ignorava, simplesmente porque "isso é pra quem usa marca X, e eu uso Y", além da troca de experiência com os alunos, que é o mais interessante. Eu tenho vários amigos que, assim como eu, oferecem cursos, e converso constantemente com muitos deles a respeito de nossas aulas. A maioria desses cursos são práticos e técnicos, sem muito aprofundamento em conceitos, ideias. É o famoso a + b = c. É pra sair da aula conhecendo e operando certo equipamento. E é isso o que faz desses cursos uma grande jogada para o aluno: você aprende a operar uma máquina em pouco tempo e pode gastar mais tempo pensando no que vai construir com ela.

Já que tem tanta gente ensinando, em tantos formatos diferentes, venho me sentindo na obrigação de explicar algumas coisas sobre as minhas oficinas, até mesmo para que ninguém se frustre quando procurar a minha aula. É uma oficina técnica, que trata de assuntos básicos da operação dos flashes dedicados, os chamados speedlights. É diferente de outras oficinas e workshops que também falam dos flashinhos? Com certeza. Então aí vai uma lista do que esperar das Oficinas de Flash em 2013:

 - Um ponto de partida - Encaro a minha oficina como um ponto de partida para o aluno. Como se fosse um fundamento pronto pra suportar um prédio que vai ser construído em seguida. Estilo arquitetônico, numero de andares, parte elétrica, encanamento, tudo isso você pode aprender com outros profissionais que oferecem outros cursos (até mesmo de flash). Eu quero deixar o terreno pronto para os outros cursos que vão tratar de outros assuntos.

- Conhecer o flash - A gente vê em detalhes todos os modos de operação que existem nos principais modelos de flash. Por isso a oficina leva de um a dois dias falando só sobre o flash speedlight. Você vai sair conhecendo cada um deles e como eles se comportam em diversas situações. Não importa se você é iniciante, ou um antigo fotógrafo que quer trocar as tochas do estúdio por algo mais portátil.

- Flash em cima da câmera e remoto - Afinal, o que fazem os rebatedores, sombrinhas, softboxes, snoots? Uma das possibilidades do seu flash é ser disparado fora da câmera, e cada um desses acessórios vai te dar um resultado diferente. Na oficina você vai conhecer alguns desses acessórios e ver na prática como eles funcionam. Vai também aprender que o flash em cima da câmera não deve ser desprezado. Muita coisa legal pode surgir de um simples flash TTL montado na câmera.

- Equilíbrio do ambiente com o flash - Eu trabalho bastante em locação, usando a luz ambiente (natural ou não). Na oficina mostro como eu faço e sugiro algumas situações.

- Surpresa - Quase tudo que eu faço é com os flashinhos, então pra mim é muito óbvio o poder deles, mas tem muita gente que subestima os flashinhos speedlights. Então, espere algumas surpresas.

- Dicas de ajuste fino da luz - Depois de toda a parte teórica você já sabe fazer a exposição correta, mas precisa saber posicionar sua luz. Eu vou te ajudar a começar a entender, mas existem outros ótimos cursos com foco em retrato, direção de modelos, e outros assuntos. Eu mesmo comecei a oferecer uma outra oficina voltada para o uso do flash em locação, onde falo sobre como iluminar uma pessoa, me aprofundo na questão do equilíbrio entre ambiente e flash, etc. Mas a oficina de flash básica segue se preocupando em fazer você entender como o seu flash funciona.

- Situações extremas - Sempre busco um cantinho mal iluminado, um fundo feio, uma sala pequena, etc. Então, saiba que talvez você pode vir a quebrar a cabeça e sofrer um pouco para resolver problemas. Se a gente consegue fazer uma foto em uma situação difícil, a gente consegue se virar em qualquer lugar. E além disso, é muito divertido ver que aquele lugar que você estava desprezando pode dar uma boa foto. Por isso, quando eu uso o espaço de um estúdio para fazer a oficina, ele se torna uma sala como outra qualquer. O fundo infinito não me interessa.

Então, 2012 se vai e eu já estou preparando uma agenda para as oficinas em 2013. Depois do primeiro passo aprendendo como o seu flash funciona, você precisa adaptar isso tudo ao conhecimento que você já tem. E se não tem muito (todos já estivemos lá), existem vários amigos fotógrafos oferecendo cursos que podem ser excelentes para começar a construir sua própria linguagem. Não vou me atrever a citar nomes, porque com certeza vou esquecer alguém, e eu não quero ninguém chateado comigo.

Como equilibrar (ou não) a luz ambiente e o flash

Ontem foi o último dia da oficina de flash avançado no IIF, em São Paulo. Além dos temidos (e já expostos aqui no blog) número guia e lei do inverso do quadrado da distância, um dos assuntos dessa oficina foi a relação entre a luz disponível no ambiente (natural ou não) e o flash.

Esse era um dos ambientes da locação para a parte prática da oficina:

O primeiro passo é fazer a fotometria do ambiente. Só pra ter uma ideia, zerando o fotômetro da câmera, no modo de medição matricial, a gente encontrou o seguinte:

Eu queria conseguir uma imagem com mais contraste, então resolvi subexpor a foto:

Agora é a hora de colocar todo aquele blá blá blá de cálculos em prática e adicionar a luz do flash de acordo com isso:

Se eu quiser menos contraste, com a luz ambiente mais equilibrada, é só diminuir ainda mais a velocidade do obturador:

Obrigado aos 14 guerreiros que aguentaram até o final do curso, ao pessoal do IIF que deu show na produção, e aos nossos músicos/modelos Beatriz e Pedro.