Nasce a Oficinaria - oficinas para consertar o mundo

Como já é de se imaginar, nem sempre eu trabalhei como fotógrafo. Já fiz muita coisa, de militar a guia de turismo, passando por vendedor de seguros e recepcionista de emergência de hospital. Em tudo isso eu buscava um jeito de não viver como uma formiguinha, só correndo pra lá e pra cá, mas ser relevante e, de alguma forma, fazer alguma coisa importante.

Um dia tive contato com uma organização que usava música e fotografia para transformar a vida de uma comunidade em um lixão na Nicarágua, e percebi que talvez na fotografia eu teria a chance de fazer alguma coisa importante para o mundo. Pelo menos para o mundo de alguém, se não pelo mundo todo. Mas ainda me faltava uma ideia para colocar em pratica. Deixar minha casa e ser voluntário na Nicarágua seria um pouco difícil naquela fase da vida.

Foi quando eu vi um anúncio do colega Ronaldo, de Cabedelos - PB, em que ele contava a história da Rafaelly, uma menina que vinha passando por um tratamento de um tipo raro de câncer e precisava de 15 mil reais para fazer uma cirurgia complicada. Ronaldo fez uma campanha para sortear um ensaio fotográfico entre as pessoas que fizessem uma doação para que a Rafaelly conseguisse fazer a cirurgia. Foi aí que eu pensei: "E se eu organizasse um pouco do que sei e oferecesse uma oficina, sendo o pagamento dessa oficina um comprovante de doação para a cirurgia da Rafaelly?". Foi o que fiz e consegui 2 alunos, levantando R$600,00 para ajudar na campanha.

Uma das primeiras alunas da oficina foi a Ane. Depois acabei sabendo que a Ane passava por um problema parecido. Os amigos da Ane se juntaram e começaram a fazer campanhas para ajudar, como o Gui Menga, por exemplo. Decidi dar um passo maior e formar uma turma pra conseguir levantar um pouco mais. Foi então que eu percebi que tinha um modelo bacana para chegar bem onde eu queria desde o inicio: fazer com que essa coisa toda de foto seja realmente importante pra alguém. E já estava sendo.

Depois disso eu fiz mais oficinas nesse modelo cobrando dinheiro, ou qualquer coisa que uma pessoa tivesse necessidade. Uma das oficinas foi para doação de plaquetas, por exemplo. O amigo Alex Villegas ajudou também, levantando dinheiro para um projeto na Vila do Papelão, em Recife. A coisa vinha dando certo e o próximo passo seria assumir um desafio maior. Eu já tinha ajudado algumas pessoas, chegou a hora de tentar fazer alguma coisa por uma comunidade inteira. Foi quando comecei a procurar uma ONG estruturada que pudesse receber uma grande quantia em doações. Numa dessas coincidências da vida tive contato com o trabalho da Fundação Fé e Alegria, que atua em vários países e tem uma casa no Grajaú, em São Paulo, onde trabalha com educação de crianças e adolescentes. A ONG opera no limite, atendendo 120 crianças, mas com uma lista de espera de mais de 150. Então surge o desafio: ajudar a Fundação a ampliar suas instalações construindo uma biblioteca para essas crianças.

Eu e mais alguns amigos nos juntamos para criar a Oficinaria, que será uma plataforma para oferecermos nossas oficinas e levantar recursos para a construção da biblioteca. A ideia é muito simples: o professor doa um dia de trabalho, o aluno paga para participar de uma oficina, e o projeto recebe diretamente, sem nenhum tipo de intermediário.

Começamos com 4 oficinas, por enquanto em São Paulo e Rio de Janeiro, com previsão de termos pelo menos 10 até o fim do ano, também em outros estados. As oficinas não são somente de fotografia. Já temos oficinas de artesanato, coaching, e mais está por vir. Ainda engatinhando, sentindo como vai ser, mas focados na construção da biblioteca. Acesse o site da Oficinaria, curta a Página no Facebook, e siga no Twitter. Fique atento à agenda e aprenda alguma coisa ajudando a transformar uma comunidade e a realizar alguns sonhos. Toda a renda das oficinas vai para uma meta de R$30.000,00, que esperamos atingir em, no máximo, um ano.

Mudar a vida dessas crianças dando educação e alguma perspectiva de transformação social é a minha homenagem à Rafaelly, que inspirou o início desse projeto e, infelizmente, não suportou a doença, apesar dos esforços.

Oficina de papelão (Atualizado)

(Atualizado dia 30 de abril de 2012)

Quero agradecer a todo mundo que fez o dia de ontem ser tão legal! O Alex Villegas abriu o dia falando da luz disponível e algumas considerações quando se fotografa em PB, e a galera viu que pode chegar a resultados fantásticos sem muita coisa (mesmo em um dia nublado). Depois, eu entrei falando de flash como luz principal e, no final, juntamos tudo e começamos a mesclar a luz disponível com o flash. No fim do dia, fomos tomar um cafezinho na padaria e o Alex falou um pouco de tratamento em PB usando o Lightroom e o Photoshop. Foram 15 participantes, cada um ajudando com R$100,00 depositados direto em uma poupança usada exclusivamente para o projeto na Vila do Papelão. Todo mundo saiu ganhando! Algumas fotos (por Denis Couto, Jamil Dias e Gleice Leles):

(Post Original)

A Vila do Papelão é uma comunidade que há mais de 20 anos abriga várias famílias debaixo de um viaduto. A maioria dos moradores é catador. Junta papelão pra vender. O video a seguir conta um pouco da história da Laurimar, que vem dedicando alguns anos para a comunidade. Sem mais blablabla, dá uma olhada no trabalho que ela vem fazendo:

;

Hoje, a Associação de Amigos da Vila do Papelão mantém uma casa com diversas atividades para essas crianças. A coisa vai indo, mas de vez em quando ainda falta aqui e ali. E é aí que a gente entra.

Você, que é fotógrafo e adora estar atualizado, estudar, fazer cursos e essa coisa toda, pode aprender ajudando essa galerinha. A Associação precisa com frequência de algumas coisas. Basicamente, material escolar e de higiene. Então, eis o plano: você faz um depósito de R$100,00 direto pra Laurimar, manda o comprovante pra mim e garante uma vaga para um dia inteiro comigo e com o Alex Villegas, fotógrafo, professor, e palestrante.

O que vai rolar? - Sabe aquela foto que você sempre faz com com flash, equilibrando o flash com a luz ambiente, medindo tudo precisamente? Como você pode largar o vício do flash e fazer essa foto só com a luz disponível? Ou talvez seu vício seja a luz natural, aquela imagem lavada, cheia de flare, cheia de medo de usar um flash. Como fazer diferente? Eu e o Alex Villegas vamos duelar até a morte, flash versus luz ambiente, pra provar no final que os dois tem razão e é tudo uma questão de escolha, de linguagem. E vamos fazer isso tudo em PB. São duas técnicas, duas formas de pensar fotografia, e você bem no meio percebendo que, se a foto é boa, pouco importa como você fotografa.

Quando? - Dia 29 de abril, domingo, a partir das 10h.

Onde? - No bonitinho e fofo Beco do Batman, na Vila Madalena:

O que precisa fazer? 1 - Um depósito de R$100,00:

Caixa Econômica Federal Agência - 1294-7 Conta poupança - 00009623-1 Operação 013 Em nome de: Laurimar Thome CPF: 751.149.684-91

2 - Enviar o comprovante para oficina@leoneves.net.

Olha só! Quer notícia melhor? Você vai pagar barato, vai ajudar a criançada e ainda vai ver diversas situações com e sem flash, e como a cor se comporta no PB.

Em maio eu vou estar em Recife para a oficina de flash e tirei alguns dias a mais para visitar a comunidade. Com certeza vou contar pra vocês o que tá rolando por lá!

E aí, topa ajudar?

Review sobre os últimos lançamentos de câmeras, flashes e softwares

Primeiro a gente acha que domina o equipamento, que tira dele o que a gente quer, do jeito que a gente espera, que o equipamento é uma extensão do corpo. Depois, descobre que o equipamento só consegue dar o que pode mesmo, e olhe lá. A gente controla um equipamento que limita a ponto de fazer a gente se sentir controlado enquanto controla. Aí, a gente tem duas opções: engole o que o mercado empurra e compra outra órtese fotográfica de última geração pra tentar fazer o corpo absorver, ou devagarzinho começa a voltar a ser só gente de carne e osso, usando o que tem com consciência.

Trecho do filme "Waking Life"

Amor é tudo o que você precisa

A matemática é simples: eu tenho um conhecimento. Um grupo de pessoas quer esse conhecimento e tem algo a oferecer em troca. Uma terceira parte precisa muito disso que esse grupo pode dar. O que eu, que transmiti o conhecimento, recebo? A oportunidade de mudar o mundo de uma pessoa. Esse triângulo de troca é justo, não acham? Não é pra ser “uma iniciativa bonita”. Simplesmente está ao meu alcance fazer alguma coisa. Não sou um “ser humano mais evoluido”. Continuo cometendo os mesmos erros, ou piores. Decepcionando pessoas, fazendo inimigos, falando o que não devo em hora inoportuna, fofocando sobre a vida alheia, gastando dinheiro com besteira e falando palavrão. Sou uma pessoa má pra muita gente que já passou pela minha vida, e fazer algo que soa bom não apaga os erros que já cometi.

Então, esse post é pra você, que dá curso, workshop, oficina, ou qualquer coisa parecida, de qualquer área ou assunto, e é uma pessoa má, como eu. Existe uma demanda pela informação que você tem, e é mais do que justo que você cobre por isso. Mas, com certeza, um dia você já se deparou com alguma situação em que uma pessoa precisava muito de ajuda. Você até quis ajudar, ou ajudou como foi possível. Mas agora eu quero te pedir pra pensar um pouco no triângulo de que falei no início. Perceba que, dessa forma, o seu conhecimento é uma ferramenta bastante poderosa para levantar recursos. Tire pelo menos um dia em 2012 pra usar essa demanda pelo seu conhecimento para ajudar alguém. Você vai ter um dia a mais esse ano mesmo (a não ser que você realmente acredite que o mundo vai acabar. Nesse caso você tem 10 dias a menos). Não é um esforço pra se tornar uma pessoa melhor, ou pra melhorar o “karma”, mas pura e simplesmente porque está ao seu alcance e não é difícil, então por que não fazer?

Comece de leve. Encontre alguém que precise de, por exemplo, um remédio. Pegue uma pessoa que tem interesse no seu conhecimento, e cobre o remédio pra dar aula pra essa pessoa. Talvez você consiga fazer uma turma e dar meses de remédio pra essa pessoa. Agora imagine se você pudesse mudar as perspectivas de toda uma comunidade. Imagine se você pudesse construir uma escola, ou reformar um hospital? A má notícia é que provavelmente você não pode. A boa, é que com certeza nós podemos. Só precisamos começar de algum lugar, aos poucos.

Se você leu isso e quer fazer o que está ao seu alcance, mas não sabe como, fale comigo. Vamos conversar, trocar ideia. Talvez tem alguém do seu lado precisando de algo que você pode fazer e você não percebeu. Se todo mundo começar a fazer alguma coisa, vai que um dia a gente percebe que juntos conseguimos levantar grana pra fazer algo maior ainda? Aí seremos um bando de pessoas más, fazendo uma coisa boa e se divertindo muito juntos. Não é impossível, não é distante, nem difícil. “Não existe nada que você possa fazer que não possa ser feito… Tudo o que você precisa é amor”.

Nada de especial

Nossos avós foram criados para começar do zero. Eram pedreiros, açougueiros, padeiros, artesãos, muitos deles eram imigrantes europeus que vieram trabalhar nas fazendas, outros eram filhos ou netos de escravos, ou pequenos produtores rurais. Eles não eram especiais, únicos. Eram exatamente iguais a todos de sua comunidade. Nossos avós eram orientados à execução de tarefas, à repetição, à produção, à guerra. Vestiam fardas, uniformes nas fábricas, ou roupas surradas quase idênticas umas às outras nas construções.

Já nossos pais foram criados para ter estabilidade financeira, uma família, segurança, emprego. Foram criados para ter sucesso na vida. Mas continuavam iguais, olhando de longe. Poucos se destacavam, e esses eram invejados. Eram especiais, únicos. E nossos pais queriam que seus filhos fossem exatamente como esses bem sucedidos. Acabaram inventando uma mentira que pode nos destruir: “você é especial, único, nasceu para brilhar”.

O problema é que todos são especiais e estão destinados ao sucesso. Mas sabemos que isso é uma mentira. Crescemos esperando em vão o dia em que vamos receber os louros dessa nossa aura vencedora. Mas que surpresa! Um belo dia acordamos e percebemos que não existe nada de especial em nós. E agora? Precisamos ter um blog, precisamos ter seguidores, precisamos ter uma rede de contatos invejável, numa tentativa frustrada de parecermos especiais, ou pelo menos nos sentirmos especiais. Saltamos de emprego para emprego buscando algo que nem sabemos o que é, e às vezes trocamos até dinheiro por títulos e cargos. Na universidade, mudamos de curso nos últimos semestres. Não conseguimos manter relacionamentos, porque sempre existe a possibilidade de alguém melhor, mais único. Nem o canal da TV conseguimos deixar por mais de 10 minutos. Sempre estamos esperando que o smartphone vibre com aquela mensagem especial. Se a lasanha deve ficar 15min. no microondas, comemos fria, porque deixamos 10.

Chegou a hora de aprendermos com nossos avós. Executarmos as tarefas. Sermos quem nós precisamos ser, e não quem queremos ser por puro capricho. Isso não quer dizer que temos que ser açougueiros. Mas se por acaso a vida nos levar para um açougue, devemos afiar nossas facas e executar a tarefa, até que ela nos leve pra outro lugar, se levar.

No final das contas, nesse mundo onde todo mundo é único, dorme tranquilo quem vive ao lado gente pra ser igual.

Oficina de gente

Comecei a oficina de flash pra ajudar a Rafaely Dantas, uma menina lá da PB, que teve que parar seus estudos de psicologia  na UFPB por causa de um tipo raro de câncer. Uma das primeiras alunas da oficina Foi a Ane Lopes. Aliás, a Ane foi também um dos primeiros esquemas de iluminação que eu postei aqui.

Alguns meses e alguns alunos depois, agora é a Ane que precisa da gente. Em 2010 ela foi diagnosticada com câncer de mama aos 23 anos. Hoje, aos 24, metástase nos ossos da coluna. Mas a Ane não é dessas que se entrega fácil, ou perde a esperança. Continua sorrindo, cheia de vida, fazendo um tratamento que não é barato (detalhes aqui http://www.amigosdaane.org/como-ajudar/) . E é aí que a gente entra.

Se você teve o carinho de clicar no link, viu que realmente não é barato levar o tratamento. Se quiser ajudar diretamente com qualquer coisa, no link tem os canais. Mas se você quiser, também pode fazer uma oficina de flash comigo (http://oficina.leoneves.net) e como pagamento vou aceitar um comprovante de depósito ou transferência de R$300,00 na conta da Ane, que é a seguinte:

  • Banco Bradesco
  • Ane Cristhine Alves Nino Lopes
  • Ag: 1443-5
  • Poupança: 1006340-0
  • CPF:352515018-03

Que oficina é essa? http://oficina.leoneves.net

Quando é essa oficina? Dia 29 de outubro.

Quantas vagas? 4 vagas. (Fechado! As vagas já foram preenchidas!)

Onde? Em SP, local a confirmar.

Quanto? R$300,00 na conta da Ane pra ajudar a seguir o tratamento.

Quem vai fazer essa oficina? As 4 primeiras pessoas que mandarem email pra leo@leoneves.net com o assunto “Oficina da Ane”

É isso. :)