O tal do cinema

Há alguns anos eu assistia filmes sem prestar muita atenção nos detalhes. Gostava dos filmes sem saber muito bem o porque. Quando comecei a estudar fotografia os filmes já passaram a ter outro sentido. Prestava atenção na luz, nos enquadramentos, na montagem. Aquele plano fechado, com aquela luz, me levava a pensar em determinada coisa. Percebi que um filme não era tão simples.

Então, me mudei pra São Paulo e acabei indo morar com gente do teatro. Eles me ensinaram a história e as ideias de vários diretores importantes que o teclado do meu computador não tem consoantes e acentos suficientes pra escrever seus nomes. Construção de personagem, exercícios biomecânicos, jogo de cena, e todo o processo criativo dos atores e diretores. Não conseguia mais assistir nem uma comédia romântica sequer sem pensar que aquela tremidinha de mão imperceptível foi parte do processo criativo do ator. Também passei a perceber quando ela não existe e fiquei mais exigente. Ver filme avançou mais um nível.

Nos últimos dias andei mergulhado no universo das trilhas sonoras graças ao maestro e compositor Alexandre Guerra. Vocês já pararam pra pensar que a simples decisão de onde e como a música entra na cena pode induzir a gente a tirar certas conclusões a respeito do desenrolar da história? Modulações, pausas, arranjos, quais instrumentos entram, dinâmica, enfim, tudo levando a gente pela mão até onde o diretor quiser. Ver um filme depois disso vai ser uma experiência quase espiritual, e "trilha boa" não significa mais um CD com músicas famosas que eu gosto.

Agora falta produção, direção de arte, figurino, roteiro... Cara, se você é do cinema, te admiro. É, como minha vó dizia, "uma profissão muito bonita" (mas ela se referia ao funcionalismo público, ou ao serviço militar).